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Metade dos trabalhadores do Oeste atua na informalidade

O diretor do escritório da Organização Mundial do Trabalho (OIT) no Brasil, Peter Poschen, afirma que o trabalho informal é um dos obstáculos para o desenvolvimento de um território. Segundo ele, metade dos trabalhadores da região Oeste do Paraná estão em situação de informalidade. Entre quinta e sexta-feira, 5 e 6, acadêmicos e autoridades de ministérios do trabalho da América Latina participaram, no Parque Tecnológico Itaipu (PTI), de um seminário para discutir o papel do trabalho no desenvolvimento territorial.


Dividido em palestras e grupos de trabalho, o evento, com o tema “Formalidade no Trabalho e Desenvolvimento Territorial: Experiências do Cone Sul e Intercâmbio Internacional de Boas Práticas”,  foi realizado conjuntamente pela Itaipu Binacional, o PTI e a OIT.  Conforme Poschen, o objetivo do seminário é promover o compartilhamento de experiências, conhecimento e capacidades técnicas, fortalecendo assim a parceria da OIT com a Itaipu e o PTI, por meio do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD).

“O evento aproveita o trabalho da OIT dos últimos anos para entender melhor o fenômeno da informalidade, um problema na América Latina de maneira geral”, pontuou Peter. “Aproximadamente a metade da força de trabalho da região está na informalidade. Isso é um problema para as pessoas que possuem renda baixa ou irregular, e também um problema para o desenvolvimento, tanto regional quanto nacional”, ressaltou.

Segundo o diretor, essas pessoas e empresas, geralmente microempresas ou empresários autônomos, possuem um nível de produtividade muito abaixo de outros que formalizam suas atividades, o que reduz sua renda final e, consequentemente, o crescimento da região em que estão inseridos. “O Brasil avançou muito na redução da informalidade nos últimos 15 anos, mas com a atual recessão, o quadro está se invertendo”, comentou Peter.

“Estamos com 13 milhões de desempregados no Brasil, uma redução em comparação com o ano passado (14 milhões), mas esse milhão que sumiu das estatísticas está atuando na informalidade”, apontou. “A informalidade é uma válvula de escape, mas não a solução do problema. Essas pessoas sobrevivem, mas muito mal”, ressaltou o diretor.

A parceria entre as instituições prevê a instauração de três elementos considerados como primordiais para um plano de desenvolvimento: a geração de informação, com enfoque nas temáticas de emprego, renda e crescimento empresarial; a análise desses dados e fornecimento de diagnósticos com relevância para o desenvolvimento; e a criação de uma plataforma virtual que permita às pessoas o acesso a essas informações e utilização de metodologias com base nas mesmas à distância.

Para o gestor do setor de Desenvolvimento Territorial do PTI, Jonhey Nazario Lucizani, é importante estabelecer um diálogo acerca de temas como o trabalho doméstico, previdência social e reformas de políticas públicas com base em experiências realizadas em outros países, sob a ótica do desenvolvimento de uma região. “Cada vez mais nos colocamos à frente desse debate, de maneira cooperada, sobre uma temática tão importante como a questão do trabalho. Isso está extremamente relacionado com os projetos que temos aqui”, pontuou Jonhey. “Ao trazer esse evento para o PTI e procurar com quais ações podemos contribuir, entendemos o desenvolvimento do território nas suas várias dimensões”, completou.

 

Fonte: PTI