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Piscicultores de Assis Chateaubriand receberão capacitação para produzir camarão de água doce

A produção de camarão de água doce é a aposta para o desenvolvimento da região de Assis Chateabriand, feita por um grupo que participou do Programa Regional de Formação para o Desenvolvimento Econômico Local com Inclusão Social para o Brasil (ConectaDEL). Isso porque a cidade apresenta um crescimento da piscicultura, ao mesmo tempo em que a produção de camarão de água salgada está ameaçada e encarecida pela síndrome da mancha branca, que veio do oriente para o Brasil.


O projeto, que tem como entidades parceiras a Prefeitura de Assis Chateaubriand, o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi um dos sete selecionados do ConectaDEL para receber cofinanciamento da Itaipu Binacional e do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). A expectativa é que as ações sejam iniciadas no começo de 2018.

O chefe da Unidade de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural da Prefeitura de Assis Chateaubriand, Antonio Carlos da Silva, que é coordenador técnico responsável do projeto, explica que a proposta atende um pedido da administração pública pelo desenvolvimento da área rural do município. Ele conta que a ideia foi aproveitar o potencial da piscicultura e levar um produto diferenciado para o mercado.

Como a importação do camarão de água salgada está dificultada e os preços do produto estão mais caros em virtude da doença da mancha branca, que já atingiu vários estados brasileiros, a alternativa foi o camarão de água doce. Antonio conta que a primeira etapa do projeto será o treinamento do corpo técnico para dar assistência aos produtores. “Depois, vamos capacitar os produtores da nossa região. Então, nós vamos doar as larvas, juntamente com a Itaipu e o PTI, para que eles façam parte do projeto”, diz o coordenador.

Os produtores precisão cumprir alguns requisitos para aderir ao projeto, segundo Antonio, como tamanhos mínimos de tanque e de propriedade. “Para deixá-los sentir como será o mercado”, pontua. O coordenador destaca que a iniciativa incentiva o policultivo – do camarão doce com a tilápia – pensando na parte ambiental. “Vamos entrar com o camarão para comer os lodos, os insetos do fundo de tanque, as fezes da tilápia; e assim a água fica mais limpa e a tilápia ganha mais peso”. Além disso, conforme Antonio, há outros benefícios da produção. “O camarão doce é mais saboroso, é mais parecido com a lagosta”, opina.

A participação do grupo no curso do ConectaDEL, para Antonio, foi fundamental para a formação de parcerias com as entidades. “O ConectaDEL também nos capacitou para ter um direcionamento em cima dos índices de crescimento e de necessidade de região, e a facilitar o sucesso da implantação do projeto”, complementa. O custo total da proposta é de R$ 100 mil.

Expectativas

“De uma maneira geral, todos os projetos são muitos interessantes. São propostas que vêm ao encontro do que o Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) preconiza e que podem servir de exemplo para iniciativas semelhantes sejam desencadeadas nos demais municípios da região”, ressalta o gerente regional Oeste/Sudoeste da Empresa de Assistência  Técnica de Extensão Rural do Paraná (Emater), Paulo Taschetto.

O presidente do POD, Danilo Vendrusculo, considera que houve uma grande evolução nos projetos elaborados nesta edição do ConectaDEL, programa que é realizado desde 2013. Ele explica que as propostas ainda serão adaptadas e submetidas a uma comissão que irá fazer orientações e avaliá-las para receber os recursos para a implementação. A intenção, segundo ele, é que os resultados dos projetos sejam apresentados no V Fórum do POD, no final de 2018. “Acredito que vamos pegar o gancho desses projetos para promover uma aproximação muito maior com as academias e o setor produtivo. Será um 'case' para potencializar essa nossa meta”.

O gerente regional do Sebrae,  Orestes Hotz, reforça que o ConectaDEL vai possibilitar os sete projetos que foram selecionados para o cofinanciamento um “empurrão” inicial. “O ConectaDEL é um grande instrumento para o Oeste do Paraná, e vai proporcionar esse primeiro investimento nesses projetos, que, muitas vezes, acabariam não acontecendo por não ter um recurso inicial”. “Na sequência, conforme forem se estabelecendo, eles terão outras fontes de investimento”, complemento.

 

Fonte: PTI